9.8.10

AMARELINHA BINÁRIA


vista do quinto andar
SCS Brasília

1 Comments:

Blogger corpos said...

O Duro e o doce
Maria Beatriz de Medeiros
Diego Azambuja
Fernando Aquino Martins

O Duro e o doce. Este artigo trata de duas ações artísticas do Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos (GPCI), que utilizam a escritura, a partir de reflexões teóricas sobre as relações mundanas possíveis entre a linguagem encarquilhada e a incompossível linguagem da agregação, ambas realizadas em Brasília, cidade muitas vezes entendida como C12H22O11. Duro: Amarelinha Binária, Galeria da Casa de Cultura da América Latina (CAL), julho de 2010; doce: ANTI CORPOS, Espaço Cultural Contemporâneo (ECCO), agosto de 2010. Michel Serres, Gilles Deleuze e Félix Guattari são alguns dos parceiros.


O corpo se junta por membros esparsos.
Michel Serres

A arte é feita de membranas mais ou menos dispersas, retalhos e costuras. Corpos Informáticos se (in)dispõe no trânsito dos fluidos que vazam pelos pontos não suturados dos processos deformantes irremediáveis e isto em movimentos aleatórios gerados por forças inter-moleculares, por vezes insignificantes, infidelidade.
O grito não se escreve, grita, contamina. O grito dura, permanece no afeto. Grito infiel expelido direto das vísceras para o oco do espaço capaz de viagem no tempo. Encontrar o espaço da infidelidade em Brasília exige um se sentir não turista, não olhar, penetrar, não chupar chiclete, morder a fruta toda e deixar as sementes pularem para os buracos de vazamento da cidade.
O que dura é duro, dura no tempo como afetação, marca nomadizante capaz de sopro, grito. O duro clama pelo tato, faz abrir as membranas úmidas, absorve pelos poros, suga pelo útero.
A guerra busca a dominação por se pretender verdade universal. Busca a submissão do outro, a exclusão. A guerra invade, devora, deforma e silencia desejos. Ela é artifício em sendo natural. Ela usa procedimentos mistos para se camuflar em roupagens cuidadosas, verdadeiros esconderijos, fugidios. Suas armas são meios de comunicação unidirecionais que privilegiam texto e imagem. A rostificação pulula: o rosto é uma política. Os olhos de Panoptes vigiam tudo. Atenção, mesmo quando dorme mantém 50 dos seus 100 olhos despertos. Mas e hoje, ele só vigia? Pune? A polícia nos impede de remanejar o trânsito para proteger os corpos de atropelamentos. Melhor, a proibição não gera desejo de transgressão como queria Bataille, gera criação do outro, do novo. Implantamos uma árvore no meio da rua.
O grande rosto, gigantesco rosto que habita as cidades. Os grandes mares da dominação precisam de rostos perfeitos que não possuem os traços do povo. A pobre comunicação unidirecional estica seus braços para manter qualquer um do rebanho ciente de suas responsabilidades. Duro, o povo permanece manipulado. Duro, os olhos continuam abertos. Doce, a significação se rebate na beleza: açúcar-refinado-de-bacharéis-sacaróticos, ópticos, panópticos, que anestesia o paladar. O final da história é que Hera homenageou Panoptes transformando-o em pavão. Para completar colocou os cem olhos em sua cauda. Criação! Fantasiaram o corpo, de verbo: televisão, tele-visão. Vestiram o desejo de pavão: linguagem.

August 23, 2010 at 10:17 PM  

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